Muriqui Olímpico

O Rio acaba de ganhar, oficialmente, o primeiro candidato a mascote das Olimpíadas de 2016. É o muriqui, um macaquinho desconhecido, porém muito simpático e fissurado em abraços, que vive em pontos isolados da Mata Atlântica. A fim de chamar atenção para a espécie, que está na Lista Vermelha da União Internacional para Conservação da Natureza como um dos 25 primatas mais ameaçados de extinção do mundo, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), a ONG Eco-Atlântica, a Secretaria de Estado do Ambiente e a empresa EBX, de Eike Batista, lançaram juntos nesta quarta (26), no Parque Lage, a campanha para que o animal seja escolhido como representante dos Jogos Olímpicos sediados no Rio.

O bichinho já ganhou inclusive o apoio de fãs de peso, como o cantor e compositor Chico Buarque, que vestiu a camisa (e a careta) do macaco em vídeo oficial de incentivo à eleição do primata. O ex-ministro da cultura Gilberto Gil, por sua vez, cedeu os direitos da canção Aquele Abraço para a campanha. E não à toa. Em tupi-guarani, muriqui significa “povo manso da floresta”. Considerado o maior primata das Américas, podendo atingir até 1,5 metros e 20 quilos, o muriqui é extremamente dócil e carinhoso: quando vê um par, sua primeira reação é sempre dar um abraço.

O gosto por abraços e a atuação em equipe reforçam a identificação com o espírito olímpico e, acima de tudo, com o povo carioca. “Esse macaco é o típico gente boa, simpático, solidário e hospitaleiro, tem tudo a ver com o Rio”, disse o ator Marcos Pasquim, uma das personalidades presentes no evento.

Camila Pitanga, Sergio Marone, Isabel Fillardis, o jogador Sócrates e Marcos Frota também estão entre as celebridades que se apaixonaram pelo muriqui, e que entregaram e ele seu voto para mascote olímpico. Segundo Frota, o macaquinho vai despertar a discussão ecológica em um país que é considerado a reserva natural do mundo. “Precisamos mostrar ao planeta o que temos aqui, e proteger a nossa biodiversidade. A consciência ecológica é o futuro do Brasil”, afirmou o ator, que está preparando um espetáculo circense sobre a importância da preservação da Mata Atlântica, em que o muriqui é o protagonista.

Entidade internacional vai apoiar candidatura de macaco brasileiro para mascote das Olimpíadas de 2016

Entrada da organização Conservation International em campanha quer divulgar o bioma Mata Atlântica no exterior e tentar atrair investimentos em projetos de proteção do muriqui-do-norte e do muriqui-do-sul, maior primata do Brasil

Seguindo o exemplo do tatu-bola, animal brasileiro ameaçado de extinção, entidades de conservação da natureza querem emplacar o quase desconhecido Muriqui como mascote dos Jogos Olímpicos de 2016, que serão realizados no Rio de Janeiro. No ano passado, a organização EcoAtlântica e a Secretaria de Estado do Ambiente do Rio de Janeiro lançaram o projeto. E, para angariar apoio também fora do País, a campanha firmará, na próxima semana, uma parceria com a Conservation International (CI), entidade de proteção ao meio ambiente sediada nos Estados Unidos e com atuação em diversos países.

O objetivo é divulgar o nome do macaco no exterior. “Vamos levar a campanha para fora do País e fortalecê-la junto ao Comitê Organizador Local (COL), Comitê Olímpico Internacional (COI) e empresas patrocinadoras dos jogos”, diz Beto Mesquita, engenheiro florestal e diretor do Programa Mata Atlântica da CI.

A entrada da CI no projeto não visa apenas conseguir que o macaco vire símbolo da Olimpíada do Rio de Janeiro. “Queremos aumentar a proteção e reduzir a ameaça sobre a espécie”, diz Mesquita. “Com a campanha, teremos a oportunidade de falar com a sociedade e chamar a atenção para a necessidade de criação de novas reservas e áreas de proteção.”

No Brasil, a CI financia pesquisas sobre o primata — ameaçado de extinção, o macaco é dividido em duas espécies (muriquis-do-norte e muriquis-do-sul) — encontrado em áreas de Mata Atlântica na Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná. Além do mais, a organização investe na criação e manutenção de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), fundamentais para a sobrevivência do macaco. O investimento anual em projetos para o muriqui gira em torno de 600.000 reais, de acordo com Mesquita.

Preservação – Paula Breves, presidente da EcoAtlântica, espera que internacionalizar a campanha ajude a chamar a atenção, no exterior, para o bioma Mata Atlântica e atraia investimentos para projetos de proteção do muriqui.

A importância de preservação do primata é comprovada pelo escasso número de indivíduos que sobreviveram a séculos de desmatamento e de caça. Hoje, na estimativa do professor de Zoologia da Universidade Federal do Espírito Santo, Sérgio Lucena, existem 2.000 macacos – entre as espécies muriquis-do-norte e muriquis-do-sul. “Realizamos um estudo com base na densidade populacional do muriqui nas reservas atuais e no habitat que ele tinha disponível antigamente”, explica o professor. De acordo com ele, a população do primata já foi superior, no início da colonização, a um milhão de indivíduos.

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Fontes: http://veja.abril.com.br e http://www.rj.gov.br
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