Povos indígenas no Espírito Santo – Guarani Mbya

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Kalna Mareto Teao
Mãe e filho Mbya Guarani em Bracuí, Angra dos Reis (RJ). Foto: Milton Guran, 1988.

Mãe e filho Mbya Guarani em Bracuí, Angra dos Reis (RJ). Foto: Milton Guran, 1988.


No Espírito Santo, existem duas etnias, os povos indígenas Tupinikim e Guarani Mbya. Ambos situam-se em Aracruz, município localizado no litoral norte do estado e distante da capital Vitória cerca de 83 quilômetros.

Os Guarani estabeleceram-se no município de Aracruz após a realização de uma longa caminhada, denominada por eles como o guata porã, que partiu do Rio Grande do Sul, por volta de 1940, chegando ao estado em meados de 1960. … esta migração [foi] uma das últimas realizadas pelos Mbya.

Os Guarani foram forçados a retirarem-se de suas terras no Rio Grande do Sul, devido ao conflito com fazendeiros locais que desejavam se apropriar de suas áreas para o plantio de erva-mate. O grupo foi liderado pela xamã Tatãtxi Ywa Reté e sua família. A trajetória dos índios até o Espírito Santo foi profundamente marcada por conflitos com a sociedade envolvente e pela posse da terra.

Em todos os estados, os Mbya enfrentaram problemas em torno da ocupação das terras pelos mais diversos motivos, como o trabalho forçado em fazendas, a tentativa de conversão religiosa, os maus tratos, o preconceito da sociedade envolvente e a exploração de sua imagem para o turismo.

Somente em 1975, a FUNAI (Fundação Nacional do Índio) reconhece oficialmente a presença de indígenas no Espírito Santo. Tal fato deve-se a chegada dos Guarani ao estado, o que, …, teria motivado o reconhecimento da identidade étnica dos Tupinikim aqui existentes.

Em 1967, a partir da instalação da empresa Aracruz Celulose, iniciou-se a luta dos Tupinikim e dos Guarani pela posse da terra. O conflito tornou-se intenso, com a ocupação de terras indígenas por posseiros e a ação violenta da empresa que a todo instante manipulava a identidade étnica alegando não haver índios no estado, pois estes já estavam bastante aculturados.

O conflito fundiário permaneceu por aproximadamente quarenta anos. A primeira fase da luta durou de 1967 a 1983, período que abrange a chegada da empresa até a demarcação das terras indígenas em 4.490 hectares. Com a demarcação das terras, os Guarani passaram a viver na parte ao sul do território indígena tupinikim de Caieiras Velhas. A segunda fase ocorreu de 1993 a 1998, que corresponde ao encaminhamento da revisão pela ampliação de terras à assinatura do Termo de Ajustamento de conduta com a empresa.

E a terceira fase teve início em 2005, com a realização da assembléia das duas etnias para reivindicar a ampliação dos 11.009 hectares. Após quatro décadas de luta pela terra, os índios Tupinikim e Guarani do Espírito Santo finalmente tiveram os 11.009 hectares homologados em 2007. No momento, aguardam a demarcação de suas terras.

Fonte:CADERNOS DE EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA – PROESI. Organizadores Elias Januário e Fernando Selleri Silva. Barra do Bugres: UNEMAT, v. 6, n. 1, 2008.

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