Caminhos da história

Tristes caminhos da história . . .

A terra do povo Suruí de Rondônia, localiza-se entre os estados de Rondônia e de Mato Grosso, nos municípios de Cacoal (Rondônia) e Aripuanã (Mato Grosso).

Os anos 70
O primeiro contato pacífico dos Suruí com os brancos data de 1969. A seguir, cerca da metade da população Suruí morreu devido às doenças transmitidas pelos colonos. No início dos anos 80, o povo Suruí contava com menos de 300 indivíduos.

Os anos 80
Com o início da exploração da madeira em 1987, grandes desigualdades sócio-econômicas apareceram. Os colonos, atraídos pelos altos lucros da atividade madeireira, levaram os índios à conivência em suas atividades de desmatamento ilegal, mediante suborno.

Os Suruí, tentados pelo dinheiro fácil, foram durante longo tempo, enganados no preço da madeira, por não saberem ler nem contar. Os madeireiros declaravam volumes inferiores aos reais e preços abaixo dos praticados no mercado, lesando assim o povo Suruí.

São poucas as famílias do povo Suruí que tiraram proveito deste tráfico. A maior parte gastou em futilidades.

Os anos 90
A organização comunitária Metareila (com o apoio das organizações de ecologistas locais, como a Associação Kanindé de Defesa Etno-Ambiental e a Proteção Ambiental Cacoalense (PACA)) decidiu em 1988 colocar um fim à exploração ilegal da madeira nas terras indígenas. Já faz 15 anos, com a nova geração de líderes, que esta luta contra a indústria medeireira vem sendo travada com vitórias e derrotas. Sabemos que não é tarefa fácil mudar mentalidades e hábitos.

Com a desigualdade econômica e a proximidade da cidade de Cacoal, inúmeros problemas sociais surgiram.

Esta atividade predatória está com os dias contados, já que as árvores de valor comercial, já foram quase todas extintas.

No entanto, os Suruí conseguiram se libertar da dependência dos madeireiros, voltar às suas atividades tradicionais e desenvolver novas, tais como: piscicultura, cafeicultura e artesanato.

O início do 3º milênio
Nestes últimos anos, os Surui tiveram um papel importante nas organizações indígenas, especialmente na organização inter-étnica, tanto como precursores quanto como exemplo de luta eficiente contra as invasões e a destruição das terras. Este sucesso ainda é frágil e ameaçado, precisa se consolidar, mas o desmatamento não progride mais nas terras Surui. Infelizmente, várias áreas foram profundamente afetadas pela falta da floresta. Esta sempre teve um papel importante, tanto do ponto de vista cultural como econômico dos povos Surui. Razão pela qual a tribo está engajada no reflorestamento da terra de seus ancestrais.

PAMINE, um projeto 100% indígena

O projeto Pamine foi elaborado pelos Suruí segundo sua filosofia de vida.

O objetivo deste projeto é engajar o maior número de Suruí, nas ações de preservação da floresta amazônica e sua biodiverdade. Seguindo o pioneirismo da aldeia de Lapetanha, e seu lider Almir Narayamoga Suruí.

Para isto, precisa demonstrar os benefícios do reflorestamento, a fim que a totalidade do povo Suruí e até alguns povos vizinhos, percebam que a exploração predatória da floresta não é a única solução para enfrentar as pressões econômicas exercidas no povo Suruí.

A recuperação da riqueza da floresta próximas das aldeias deve proporcionar a redução da dependência alimentar com relação às cidades e criar recursos no âmbito do desenvolvimento sustentável.

Beneficiários
O beneficiário oficial do projeto, é a Associação Gamebey Metareilá, presidida por Almir Narayamoga Suruí., que representa a tribo Gamep.

Os verdadeiros beneficiários do projeto serão os moradores de Lapetanha e de outras aldeis. Aqueles que participam de forma ativa no reflorestamento. Além do salário recebido, eles beneficiam-se dos produtos retirados da floresta.

Bem fundado
As terras indígenas são praticamente as únicas no estado de Rondônia a resistir ao desmatamento. Por isso é fundamental apoiar o povo Suruí na sua ação de preservação da floresta e da criação de uma economia sustentável.

No mais, os Suruí gozam de grande prestígio no estado de Rondônia, sendo o povo indígena mais organizado e ativo em organizações inter-étnica. O lider que está na origem do projeto representa os índios brasileiros em instâncias nacionais e internacionais. Desta forma o projeto, mesmo modesto, poderá ganhar destaque na cena internacional.

Fonte: http://www.aquaverde.org
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