Avaliação I

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Do Livro: “Concepção Dialética-Libertadora do Processo de Avaliação Escolar de Celso dos Santos Vasconcelos”

A Avaliação é, na prática, um entulho contra o qual se esboroam muitos esforços para pôr um pouco de dignidade no processo escolar.

Seria interessante analisar a ocorrência da reprovação em função da classe social: enquanto na rede privada o índice de reprovação na 1ª série do Ensino Fundamental é muito pequeno, na rede pública este índice é alarmante.

Tal dado, não está ligado à questão da “qualidade” da escola privada, como quer nos fazer crer certa mídia, mas as estratégias a que recorre: seleção econômica para entrar (valor das mensalidades), exames de seleção (vestibulinhos), alunos de classe economicamente favorecidos, com fácil acesso a informações fora da escola (acesso a revistas, jornais, livros, televisão a cabo, computador, Internet,viagens, apoio dos pais, contratação de aulas particulares.

Ou até a sutil sugestão da escola para transferência em caso de baixo rendimento, sem contar com expedientes como de “ dar um jeito” de aprovar o aluno para que o pai não perca o investimento.

Várias pesquisas etnográficas têm constatado: a postura do professor, muitas vezes, é bastante diferenciada numa escola e noutra em termos de estímulos e confiança no potencial do alunos.

O que quer mostrar é um mito criado sobre as escolas particulares, seria injusto e ingênuo fazer uma generalização.

Há escolas particulares que são verdadeiros centros de excelência. Isto acaba contribuindo para a manutenção da distorção da avaliação da escola pública. As práticas conservadoras, de grande parte das particulares, são tomadas como modelo, “já que tem resultados tão positivos “.

O SAEB ( Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica), tem ajudado a demonstrar este equívoco. A diferença de aproveitamento de ambas as redes, embora favorável a particular, é relativamente pequena, em patamares bem abaixo dos desejados.

Tanto a escola pública quanto a particular não tem conseguido cumprir a função de socialização do conhecimento, muitos pais percebem isto, mas se submetem aos encargos das mensalidades, tendo em vista os benefícios que as pessoas de posses poderá trazer para seus filhos. O verdadeiro sentido da reprovação se manifesta no fato de que, mesmo no interior da escola particular, o segmento social que é atingido por ela é justamente os menos desfavorecidos.

O problema da avaliação tem que ser encarado no contexto da educação escolar, que por sua vez precisa ser inserido no contexto social mais amplo. Não é o problema de uma matéria, nível, curso ou escola; é de todo um sistema educacional, inserido num sistema social determinado, que impõe certos valores desumanos como o utilitarismo, a competição, o individualismo, o consumismo, a alienação, a marginalização , valores estes que estão incorporados em práticas sociais, cujos resultados colhemos em sala de aula, funcionam como “filtros” de interpretação do sentido da educação e da avaliação.

Fonte: http://mirianferminiano.blogspot.com.br e http://www.nre.seed.pr.gov.br

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